Hipotireoidismo e doenças autoimunes

Publicado em 19/05 às 13h

A tireoide é um órgão sensível à presença de determinados compostos tóxicos ou alergênicos, inclusive aqueles presentes na alimentação. Algumas doenças da tireoide podem ser autoimunes, ou seja, quando o organismo passa a atacar as células da própria tireoide. Muitas vezes, esta doença autoimune, chamada de Doença de Hashimoto, pode estar relacionada com o consumo do glúten em pacientes com hipersensibilidade ou alergia a esta fração proteica presentes em alimentos que contenham trigo, cevada, centeio e aveia. A tireoide também pode sofrer consequências com uma alimentação rica em produtos alimentícios, devido à presença de aditivos químicos e de toxinas de embalagens plásticas ou metálicas, que, em grande quantidade e de forma frequente na dieta, podem ser tóxicos a vários órgãos, inclusive à tireoide. A ingestão de agrotóxicos pela alimentação também é outro fator preocupante, pois são altamente tóxicos e podem prejudicar o funcionamento da tireoide, portanto, sempre que possível preferir alimentos orgânicos ou biodinâmicos. Uma alimentação deficiente nos minerais iodo e selênio, principalmente, também podem desequilibrar as funções da glândula, pois são essenciais para a adequada produção dos hormônios da tireoide. É importante que se tenha um equilíbrio no consumo de iodo, em quantidades adequadas para cada pessoa de acordo com suas necessidades e considerando o quanto de sal iodado este indivíduo consome diariamente, para que não ocorra problemas decorrentes da sua falta ou de seu excesso. Outra importante consideração é em relação a certos alimentos, como peixes de cativeiro ou de grande porte e alimentos enlatados, que são ricos em metais pesados, dentre os quais alumínio, cádmio, chumbo e mercúrio, que são altamente tóxicos ao organismo e por esta razão também desequilibram o funcionamento da tireoide e a formação de seus hormônios. De forma geral, uma alimentação deficiente em vegetais, frutas e alimentos integrais – que são fontes de vitaminas, minerais e compostos ativos antioxidantes – e rica em alimentos industrializados, agrotóxicos e metais pesados, constitui um dos perfis alimentares mais prejudiciais à saúde da tireoide, podendo aumentar o risco de doenças como o hipertireoidismo ou hipotireoidismo e até mesmo o câncer.

Para o bom funcionamento da tireoide e de seus hormônios, diversos nutrientes são necessários. Porém, a indicação da quantidade e frequência de consumo deve ser individual, por meio da prescrição de um nutricionista. Todos estes alimentos devem estar em equilíbrio dentro de uma alimentação e hábitos de vida saudáveis, pois um único alimento consumido em excesso e isoladamente não terá os efeitos desejados.

- Iodo: encontrado nas algas marinhas (Kombu, Wakame, Hijiki, kelp, Agar-agar, Chlorella, Spirulina, Lithotanium);

- Vitamina A: carnes e fontes de carotenoides (que formam a vitamina A), como vegetais verde-escuros, cenoura, abóbora, etc.;

- Zinco: presente em castanhas e cereais integrais;

- Selênio: oleaginosas, como castanha-do-Pará, avelã, macadâmia, amêndoas, castanha-de-caju;

- Ferro: castanhas, leguminosas, carnes e vegetais folhosos verde-escuros;

- Vitaminas B2 e B6: carnes, vegetais e alimentos integrais;

- Vitamina B12: carnes

- Ômega-3: peixes (preferir os de pequeno porte, como sadinha, pescada branca, filé de Saint Peter e merluza), linhaça, oleaginosas, algas marinhas.

Pacientes que já fazem o uso do hormônio podem seguir uma alimentação equilibrada e saudável de acordo com as suas necessidades individuais, considerando os alimentos mencionados anteriormente para auxiliar os medicamentos no reequilíbrio da glândula. Deve-se, ainda, reduzir o consumo de alimentos que sejam fontes de metais tóxicos, agrotóxicos e aditivos químicos. Mas as contraindicações são individuais, ou seja, deve-se respeitar a individualidade bioquímica de cada paciente e usar a nutrição funcional para orientá-lo da melhor forma.

Referências bibliográficas:

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