Cafeína e redução de demência

Publicado em 18/04 às 01h

A cafeína é o principal composto bioativo do café, que tem ganhado muito destaque na literatura científica pelos benefícios que pode conferir aos consumidores desta bebida – considerada uma das mais consumidas no mundo1,2. Além do café, a cafeína também pode ser encontrada em grande quantidade em plantas como Camellia sinensins (chá verde), Illex paraguariensis (erva mate) e Paulinea cupana (guaraná)3,4.

            Seu uso é relatado, principalmente, na melhora da disposição energética, devido ao seu efeito termogênico que permite maior catabolismo de gordura – pela lipólise – que em seguida é oxidada nas mitocôndrias, com o adequado estímulo oxidativo5.

            Além desta importante função, a cafeína tem sido sugerida para a melhora de parâmetros cognitivos6. Um estudo realizado com mulheres idosas mostrou positiva correlação entre o consumo de produtos com cafeína e redução de problemas cognitivos relacionados ao envelhecimento - mediadores de doenças neurodegenerativas7.

            Outro estudo, também realizado com uma coorte de idosos, associou o consumo moderado de café com a redução da incidência de comprometimento cognitivo leve e demência. Para este efeito, os autores sugerem a cafeína como um potente agente neuroprotetor8.

            Uma possível justificativa para esta ação neuroprotetora da cafeína refere-se à modulação positiva de alguns componentes do sistema nervoso central. Um estudo in vitro, conduzido por indianos, mostrou que a cafeína aumenta os níveis da enzima Ácido Nicotínico Mononucleotídeo Adenil transferase 2 – importante para a manutenção e proteção do sistema nervoso central, sendo considerada chave essencial para muitos processos celulares9.

            Ainda, a cafeína é proposta como inibidora do processo da deposição e expressão da placa Beta Amiloide – componente responsável pelo declínio da função cognitiva na doença de Alzheimer10.

            Desta forma, o consumo de bebidas com cafeína pode reduzir o risco de desenvolvimento de doenças neurológicas. Entretanto, é importante considerar que algumas pessoas são mais sensíveis aos efeitos da cafeína, fato que pode predispor a alguns sintomas não desejáveis, que de forma contrária, prejudicam algumas funções fisiológicas. Portanto, é necessária avaliação individual, para que a conduta seja mais segura e eficiente.

           

Referências Bibliográficas

  1. ABRAHÃO, S.A.; PEREIRA, R.G.F.A.; DUARTE, S.M.da S. et al. Compostos bioativos e atividade antioxidante do café (coffea arábica). Cienc Agrotec; 34(2):414-420, 2010.
  2. FRIEDRICH, K.; SMIT, M.; WANNHOFF, A. et al. Coffee consumption protects against progression in liver cirrhosis and increases long term survival after liver transplantation. J Gastroenterol Hepatol; 31(8): 1470-5, 2016.
  3. ASHIHARA, H.; MIZUNO, K.; YOKATA, T. et al. Xanthine alkaloids: occurrence, biosynthesis and function in plants. Prog Chem Org Nat Prod; 105:1-88, 2017.
  4. TURKOZU, D.; TEK, N.A. A minireview of effects of green tea on energy expenditure. Crit Rev Food Sci Nutr; 57(2):254-258, 2017.
  5. RICHARDSON, D.L.; CLARKE, N.D. Effect of coffee and caffeine ingestion on resistance exercise performance.J Strength Cond Res; 30(10):2892-900, 2016.
  6. NEHLIG, A. Effects of coffee/caffeine on brain health and disease: what should I tell my patients? Proct Neurol; 16(2):89-95, 2016.
  7. DRISCOLL, I.; SHUMAKER, S.A.; SNIVELY, B.M. et al Relationships between caffeine intake and risk for probable dementia or global cognitive impairment: The women´s health initiative memory study. J Gerontol A Biol Sci Med Sci; 71(12):1596-1602, 2016.
  8. SOLFRIZZI, V.; PANZA, F.; IMBIMBO, B.P. et al. Coffee consumption habits and the risk of mild cognitive impairment: the Italian longitudinal study on aging. J Alzheimers Dis; 47(4):889-99, 2015.
  9. YO, A.; BRADLEY, G.; LU, H.C. Screening with an NMNAT2-MSD platform small molecules that modulate NMNAT2 levels in cortical neurons. Sci Rep; 7:43846, 2017.
  10. LI, S.; GEIGER, N.H.; SOLIMAN, M.L. et al. Caffeine, through adenosine A3 receptor-mediated actions, suppresses Amyloid-β protein precursor internalization and Amyloid-β generation. J Alzheimers Dis; 47(1):73-83, 2015.




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