Como o consumo de chá pode afetar nossos genes


Como o consumo de chá pode afetar nossos genes

Publicado em 09/02/2018 às 11:05



O consumo de alguns tipos de infusões ou decocções pode influenciar, positivamente, as atividades genéticas, levando à redução do risco de diversas doenças. Essa associação é justificada pela presença de diferentes fitoquímicos que atum na metilação de DNA, predispondo ao silenciamento de genes que podem gerar efeitos maléficos em nosso organismo1.

Como exemplo, estudos conduzidos em modelo celular sugerem que as catequinas presentes na Camellia sinensis – popularmente conhecida como chá verde – estão envolvidas na metilação de DNA, bem como na modificação de histonas e de microRNAs2,3.

De forma clínica, um estudo conduzido com 16 indivíduos, submetidos ao consumo de uma dose de infusão de Camellia sinensis, identificou que esta intervenção reduziu danos em DNA de linfócitos e modulou genes de reparação de DNA de compostos importantes para a proteção antioxidante e redução de inflamação. Desta forma, os autores concluem que o consumo de infusão de Camellia sinensis pode proteger nosso material genético, reduzindo o risco de doenças desencadeadas por um possível dano em DNA 4.

Outro estudo, realizado a partir dos dados da coorte NSPHS (Northern Sweden Population Health Study) correlacionou o consumo de chás e café com metilação de DNA, em regiões que contêm genes que interagem com o metabolismo do estradiol, podendo reduzir o risco de câncer - especialmente os que envolvem este hormônio para o seu desenvolvimento. Os autores explicam esta correlação pela presença de polifenois em plantas utilizadas para o preparo de infusões e decocções, que foi determinada através dos questionários sobre o consumo alimentar da população estudada5.

Embora o consumo de infusões e decocções seja uma estratégia interessante para a redução do risco de doenças, é importante levar em consideração as necessidades e características individuais, para que a conduta seja segura e eficiente.

Referências Bibliográficas:

1-PENTA, D.; SOMASHEKAR, B.S.; MEERAN, S.M. Epigenetics of skin cancer: interventions by selected bioactive phytochemicals. Photodermatol Photoimmunol Photomed; 34(1):42-49,2018.

2-LUO, H.; TANG, L.; TANG, M. et al. Phase IIa chemoprevention trial of green tea polyphenols in high-risk individuals of liver cancer: modulation of urinary excretion of green tea polyphenols and 8-hydroxydeoxyguanosine. Carcinogenesis; 27(2):262-8,2006.

3-GIUDICE, A.; MONTELLA, M.; BOCCELLINO, M. et al. Epigenetic changes induced by green tea catechins are associated with prostate câncer. Curr Mol Med; 2017. doi: 10.2174/1566524018666171219101937.

4-HO, C.K.; CHOI, S.W.; SIU, P.M. et al. Effects of single dose and regular intake of green tea (Camellia sinensis) on DNA damage, DNA repair, and heme oxygenase-1 expression in a randomized controlled human supplementation study. Mol Nutr Food Res; 58(6):1379-83,2014.

5- Ek, WE; TOBI, E.W.; AHSAN, M. et al. Tea and coffee consumption in relation to DNA methylation in four European cohorts. Hum Mol Genet; 26(16): 3221-3231,2017.


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